• Prof. Carlos Augusto Pereira dos Santos Possui Graduação em ESTUDOS SOCIAIS pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA (1990), Mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (2000) e Doutorado em História Do Norte e Nordeste do Brasil pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2008). Atualmente é Professor da UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAU - UVA. Leciona as disciplinas de Historiografia Brasileira e História do Brasil I e II. É tutor do Programa de Educação Tutorial - PET HISTÓRIA/UVA. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: militancia comunista, ditadura, cotidiano, cultura e trabalhadores urbanos. conheça o grupo de pesquisa Cidade, Trabalho e Poder. Clique Aqui
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No intuito de suscitar discussões no âmbito da História, o Grupo PET História da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, promove para a comunidade acadêmica o II Seminário PET, com a temática Arquivo & Patrimônio. Buscaremos por meio de Palestras, Minicursos, Simpósios Temáticos e Oficinas, abordagens que possibilitem o debate sobre o tema e suas interdisciplinaridades. Com base na temática central do Grupo PET História UVA, que é a preservação e catalogação de documentos e também da primeira experiência em 2011 de promover um seminário, lançamos a segunda edição do evento, organizado pelo tutor e pelos bolsistas com o apoio da Coordenação do Curso de História. A importância desta atividade não diz respeito apenas ao envolvimento e participação de profissionais e pesquisadores, mas também da sociedade como um todo, já que as reflexões propostas para esta edição possibilitam aos participantes o desenvolvimento de uma consciência histórico-cultural, elemento fundamental na formação da cidadania. É uma oportunidade singular para mantermos um intercâmbio de ideias e experiências com especialistas locais e de outros espaços de pesquisa e ensino. A intenção é ampliar as discussões das relações entre Arquivo e Patrimônio, levando em conta a condição da cidade de Sobral como patrimonio histórico e as ações do poder público na efetivação de um futuro Arquivo Público, além da importância do Ensino e da Pesquisa, nesses campos de conhecimento e seus contextos interdisciplinares.
PROGRAMAÇÃO:

Dia 30 de Maio - Secretaria de Cultura e Turismo de Sobral.
Programação Externa: Auditório da Secretaria de Cultura e Turismo de Sobral:
14:00h: Palestra: "A importância de um arquivo público: gestão e projetos". Palestrante: Prof. Dr. Paulo Knaus - Universidade Federal Fluminense - UFF / Arquivo Publico do Rio de Janeiro - APERJ

Dia 30 de Maio - CCH
Credenciamento: 17h às 19h30min
Apresentação Cultural: 19h às 20h
Conferência de Abertura: Prof. Dr. Paulo Knauss – UFF/APERJ: 20h às 22h.


Dia 31 de Maio - CCH
Manhã: 09h às 11h - Atividades PET (Extensão) - NEDHIS
Tarde: Minicursos /Oficinas: 14h às 18h
Noite: Mesa Redonda: "Gestão de acervos, arquivos e política patrimonial na Zona Noroeste do Estado do Ceará". - Profs. Carlos Augusto P. Santos, Dênis Melo, Raimundo Nonato R. Souza, Alênio Carlos Noronha Alencar, Regina Raick (UVA), Thiago Tavares (INTA) 19h30min às 22h.
Dia 01 de Junho - CCH
Manhã: Simpósio Temático. 9h às 11h
Tarde: Minicursos e Oficinas: 14h às 18h
Noite: Apresentação Cultural: 18h30min às 19h30min
Conferencias de encerramento: 19h30min às 22h "Sistema de Documentação e Arquivos, Políticas Públicas Arquivísticas e acesso á informação" - Prof. Dr. Márcio Porto – Arquivo Público do Estado do Ceará – APEC. Prof. Dr. Gilberto Ramos – Tutor PET História UFC

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Depois de prometer uma nova estrutura física para o Centro de Ciências Humanas - CCH em sua recente visita à Sobral quando inaugurava o CCS, o Governador do Ceará Cid Ferreira Gomes voltou a receber os estudantes da UVA ontem, quando novamente voltou a Sobral, desta vez para inaugurar a 86ª Escola Técnica Profissionalizante em sua gestão. Confira abaixo as principais promessas feitas diretamente da cadeira do Prefeito de Sobral. Se continuar nesse tom, com mais quatro viagens a Sobral, teremos a UVA de nossos sonhos.

CID NA CADEIRA DO PREFEITO DE SOBRAL

(Na foto: Cid Gomes bem a vontade na cadeira do prefeito sobralense)
 
O Governador Cid Gomes esteve reunido na segunda-feira (21) no Paço Municipal, em Sobral, com o reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Antonio Colaço Martins, e representantes de Centros Acadêmicos e do Diretório Central dos Estudantes da UVA (DCE). O encontro foi para discutir reivindicações apresentadas pelos representantes estudantis.
Entre as decisões anunciadas pelo Governador, está a autorização para a realização de Concurso Público para admissão de professores para os cursos de Engenharia Civil (13 vagas) e Letras Habilitação Inglês (7 vagas). Segundo o reitor da UVA, Antonio Colaço, “o Edital para abertura do Concurso já está 90% concluído”. Cid também autorizou o reitor a iniciar o processo para a elaboração de edital para a realização de Concurso Público para admissão de 75 novos funcionários técnico administrativos.
Cid Gomes anunciou, também, que serão investidos na UVA, R$ 15 milhões, e que R$ 4 milhões desse total, serão destinados à construção e aparelhagem do Restaurante Universitário da Universidade. Ficou definido, ainda, que serão investidos R$ 400 mil na melhoria de laboratórios e na aquisição de livros de várias áreas. (Blog da PMS)
 

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Dado o pontapé inicialA para a arealização da X Bienal Internacional do Livro no Ceará, e o blog acompanhará o evento. Veka reprodução de matéria do Diário do Nordeste de 15 de maio de 2012.


 A feira será realizada no Centro de Eventos, e organização espera um público de 600 mil pessoas
Ainda sem muito da programação definido, a X Bienal Internacional do Livro do Ceará foi anunciada, ontem, pelo governo do Estado em solenidade no auditório do Palácio da Abolição. O novo Centro de Eventos do Ceará deverá sediar a feira entre os dias 8 e 18 de novembro.
Por hora, está confirmada a presença do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura do ano de 1986, Wole Soyinka, escritor e dramaturgo nigeriano, que será um dos homenageados. Outra homenagem durante o evento será à agremiação de escritores cearenses "Padaria Espiritual", que, em 2012, completa 120 anos de fundação.
Conforme o secretário da Cultura, Francisco Pinheiro, a Bienal já está desenhada, mas falta definir os detalhes da programação. São esperados mais de 100 mil títulos em exposição, com participação de editoras internacionais, nacionais e locais.
Ainda não foi definido também um curador. De acordo com Pinheiro, uma comissão organizadora foi mobilizada com participação de funcionários da Secult, Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) e representantes do setor livreiro.
Escritores de outros países de língua portuguesa, como Portugal e nações do continente africano, devem ter destaque. A área de exposição terá um aumento de 40% em relação ao ano passado, totalizando 23 mil metros quadrados. Estão previstas cerca de 500 atividades, entre palestras, mesas-redondas, shows líteromusicais e lançamentos de livros, com público estimado em 600 mil pessoas.

Passarelas
O secretário não quis comentar a polêmica envolvendo a ausência de passarelas de acesso de pedestres ao Centro de Eventos. "Isso é uma questão que o secretário (de Turismo) Bismack Maia deve resolver", disse. Apesar de haver grande número de estudantes e outras pessoas que utilizam transporte coletivo entre o público das bienais, Pinheiro acredita que o acesso não será problema.
O secretário destacou que dificuldades enfrentadas na edição passada, como falta de estacionamento, problemas de locomoção dentro da feira e falta de opções na praça de alimentação, também não se repetirão. Além da nova estrutura do Centro de Eventos - que inclui 3,5 mil vagas de estacionamento, praça de alimentação e túneis de acesso - estão, no planejamento, medidas como a duplicação das vias de circulação dentro da feira, que passam a ter quatro metros de espessura, e aumento do número de portas de acesso.
Hoje, será iniciado o processo de locação dos estandes, com apresentação dos espaços ao setor livreiro cearense agendada para 15 horas no Centro Dragão do Mar. No dia 21, os organizadores vão à São Paulo para encontro com o trade nacional.

FÁBIO MARQUESREPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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Historiadora francesa publica livro sobre a Ditadura Civil-militar no Brasil. Confira baixo o resumo do livro e entrevista.
Rebeldia à direita

 O baixo clero da linha dura no regime militar

 RESUMO Entre 1964 e 1979, a elite hierárquica das Forças Armadas conviveu com militares contestadores e batalhou para mantê-los longe dos assuntos de Estado durante o regime militar. Livro dedica-se às articulações políticas de coronéis e oficiais de patentes inferioresque formavam a linha dura de extrema direita.

 GUILHERME BRENDLER
 Onze anos atrás, recém-formada em história pela Universidade Sorbonne/Paris 1, Maud Chirio veio ao Brasil acompanhar o marido, que faria no Rio parte do doutorado em matemática. Anos depois, em 2004, Maud escolheu a ditadura militar brasileira (1964-85) como objeto de pesquisa para o doutorado que iniciaria na França.Seu trabalho, recém-publicado no Brasil como "A Política nos Quartéis - Revoltas e Protestos de Oficiais na Ditadura Militar Brasileira" [trad. André Telles, Zahar, 264 págs., R$ 49,90] , dedica-se às manifestações e articulações políticas de coronéis e oficiais de patentes inferiores que formavam a linha dura de extrema direita durante o regime. Sob o argumento de manter a integridade das Forças Armadas, apenas aelite hierárquica militar tinha permissão para tomar parte dosassuntos de Estado. A tropa e os oficias de baixa patente deveriampermanecer à distância. Com isso, os generais à frente do poder conviveram, segundo a autora, com duas linhas duras. A primeira, liderada pelo coronel Francisco Boaventura Cavalcanti,articulou-se entre 1964 e 1969. Dedicou-se a ações intelectuais, como textos dissonantes às ações do governo sob o pretexto de "continuar a 'revolução'" e, mais tarde, enveredou na luta contra a distensão. Para dissolver os "revolucionários" contestadores, o governo usou instrumentos de combate à "subversão", punindo 262 militares com o Ato Institucional nº 5 (1968), entre eles Boaventura  A segunda linha dura, apoiada pelo general Sylvio Frota, então ministro do Exército, existiu entre 1974 e 1978 e foi tão anticomunista quanto a primeira, mas mais radical: esteve por trás da repressão policial e da tortura.Maud, 31, conversou por telefone com a Folha.

Folha - Por que você se interessou pela política de oficiais durante aditadura militar?

 Maud Chirio - Quando vim ao Brasil, tinha acabado de me formar em história. Eu mal sabia que havia existido uma ditadura militar no Brasil, muito menos que tinha sido a primeira e a mais duradoura do continente. Sabia das ditaduras chilena e argentina, que eram mais conhecidas na França, mas, por lá, o Brasil não faz parte dos estudos de formação acadêmica. Quando estourou o golpe no Brasil, não havia um imaginário das ditaduras militares latino-americanas na Europa. Não foi identificado de imediato pela mídia e pela classe política francesa como um regime autoritário.Mas, apesar da ausência no imaginário francês, a ditadura sofreuinfluência militar da França.Do final dos anos 1950 até 1964, as revistas, os boletins e os artigos que os militares brasileiros liam eram de origem francesa. Após ogolpe, isso mudou, porque houve uma influência maior dos EUA.O papel mais importante na luta contra a chamada "subversão" vem dateoria francesa, formulada por militares que lutaram em guerras coloniais na Indochina e na Argélia. E essa influência continuou. Um dos principais chefes militares na Argélia e teóricos da repressão foi adido militar no Brasil durante os anos de chumbo. O general [Paul] Aussaresses é um símbolo da permanência de contatos entre esses mundos militares.

É possível comparar a perseguição do governo aos coronéis da linhadura àquela empreendida contra os militares de esquerda?

 A esquerda militar foi muito mais perseguida. No imediato pós-golpe, a repressão focou mais o mundo militar que o civil, o que mudou depois. Apesar de não ter estudado a esquerda militar, minha impressão é que, nos primeiros anos do regime, o governo adotou medidas mais ligadas a pressões da linha dura do que da esquerda militar, porque a esquerda foi reprimida, caçada e retirada do Exército, e a linha dura não. No máximo, havia transferência dos oficiais de extrema direita para quartéis distantes do centro do país. A direita continuou agindo durante muito tempo. Já a esquerda militar foi eliminada. Mesmo assim, a linha dura ganhou espaço após o golpe. O novo regime era contestado pelos próprios militares e houve uma radicalização de setores muito à direita. Esse grupo de oficiais já existia no Brasil antes do golpe e queria uma limpeza do campo, uma luta contra a oposição radical e uma participação no poder.A primeira vitória que tiveram foi o AI-2, promulgado no final de 1965. Era exatamente o que eles exigiam. Mas, ao mesmo tempo, foi uma maneira que [o presidente general Humberto] Castelo Branco encontrou para ter mais autoridade e reprimir os jovens coronéis mobilizados, como Boaventura e Hélio Lemos. Ao adotar o AI-2, Castelo Branco manda todos os coronéis de linha dura para quartéis distantes. Alguns tiveram prisão disciplinar. A dinâmica da radicalização é complexa. Não foi só uma resposta a uma pressão. Foi também uma maneira de os generais terem autoridade para conter reivindicações dos mais novos enquanto construíam um regime repressivo.

 A busca pela manutenção da hierarquia também motivou a contenção dos ímpetos da extrema direita?

 Sim, a questão hierárquica foi uma obsessão das altas patentes militares desde o golpe. Castelo Branco criou uma legislação para regular o comportamento dos oficiais e impedir que um general envolvido politicamente ficasse na ativa por muito tempo. Obrigou a passagem para a reserva e limitou o tempo de agregação, ou seja, o afastamento temporário da ativa para exercer cargos eletivos. Foi uma estratégia geral, não só em relação à linha dura. Eles não queriam ser desafiados por inferiores hierárquicos. A cassação do coronel Boaventura e de outros oficiais pelo AI-5 foi interpretada como abuso de poder presidencial e gerou uma sucessão de protestos de militares. Essas punições não foram um tiro no pé? Boaventura foi cassado e não conseguiu prosseguir na carreira militar. Foi punido porque era o líder da primeira linha dura, cassado pelo instrumento que servia para lutar contra a "subversão".  Os outros casos são diferentes. [Olímpio] Mourão Filho era general em 1969, e [Afonso Augusto de] Albuquerque Lima era coronel em 1964, mas um pouco mais velho.Os mais novos também foram punidos. Nenhum deles chegou ao generalato,com exceção de Hélio Lemos, que nunca comandou tropas. Houve protestos por causa da punição do Boaventura, mas a primeira linha dura, ativa de 1964 a 1969, foi derrotada politicamente e não conseguiu mais pressionar. Voltou a atuar no final dos anos 1970, na oposição, com a candidatura do general Euler [Bentes] pelo MDB, mas foi derrotada de novo. Então, não foi um tiro no pé, não, porque eles conseguiram condenaresses oficiais à morte política. Mas os militares de linha dura reaparecem durante o governo do general Emílio G. Médici (1969-74). Não foi bem uma volta. Com algumas exceções, não eram os mesmos os integrantes desse grupo, que chamo esse de segunda linha dura da direita radical. É difícil afirmar que existiu uma continuidade entre esses dois movimentos, pois no governo Médici boa parte do primeiro grupo não atuava mais, e alguns que agiram no segundo período não atuaram no momento do golpe. Mas o período Médici é o mais difícil de pesquisar por que existe uma carência enorme de fontes.

 O que falta para a historiografia explorar mais a ditadura militar? A Comissão da Verdade pode contribuir?

Sei que há arquivos grandes e completos fechados, necessários para entender não só repressão, mas a toda a história do regime.São pouco mais de 20 anos da história do Brasil, isso não é nada [em termos históricos]. Diversos historiadores estudam o tema ao mesmo tempo e estamos esgotando os arquivos disponíveis. Precisamos dessa massa de documentos que não foram abertos ainda. A memória individual é imprescindível para historiadores. Os testemunhos que podem ser recolhidos na comissão vão constituir uma fonte fundamental.  Não acredito no esquecimento. É bom ter uma visão mais complexa sobreo regime militar, mas só novas fontes e testemunhas podem trazer essasversões para a sociedade e o mundo acadêmico.

 Você acredita que haja muito material desconhecido sobre o tema?

 O pesquisador precisa aceitar a falta de acesso a documentos com humildade. Essa pesquisa exigiu energia para reunir fontes espalhadas e pequenas, muitas vezes parciais. Nenhum arquivo foi aberto desde que comecei a escrever a tese. Mas também existem arquivos nos quais nunca tinha pensado que poderiam trazer novidades, e vou começar a consultá-los.

 Que arquivos são esses?

 Prefiro não falar antes de saber exatamente o que eles contêm.

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Se você tem uma pesquisa pronta sobre o Município de Sobral e quer vê-la publicada, chegou a hora. A Prefeitura de Sobral  acaba de lançar edital que contemplará seis trabalhos sobre a história local. Confira a matéria abaixo e boa sorte:

Lançado Edital de Publicação de Pesquisas Relacionadas à História de Sobral



A Prefeitura Municipal de Sobral, através da Secretaria da Cultura e Turismo, torna público aos interessados o edital para seleção de pesquisas relacionadas à História de Sobral.  O objetivo é a seleção de pesquisas finalizadas, visando a publicação e difusão de trabalhos que tenham como temática a História de Sobral.
Estão habilitados a participar deste Edital, pesquisadores que tenham pesquisas relacionadas à cidade de Sobral. Serão contempladas as 06 (seis) melhores pesquisas e de cada uma delas serão publicados mil exemplares. As inscrições são gratuitas, realizadas até dia 04 de maio de 2012. As inscrições deverão ser enviadas pelos Correios, endereçadas à Casa da Cultura – Av. Dom José, 881, Centro – CEP: 62011-060 – Sobral-Ceará. Somente serão consideradas inscritas as pesquisas entregues via postal.
Mais informações podem ser obtidas pelos telefones: (88) 3611-2712/3611-2956 e pelos e-mails cultura_sobral@yahoo.com.br ou cultura@sobral.ce.gov.br

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População indígena cresceu 6% em 10 anos

19.04.2012

Indios Tremembés de Almofala-CE. Foto:acarauonline.blogspot.com
Ceará soma, segundo o IBGE, 19.336 índios; Funai questiona, diz que o número é bem maior e já chegaria a 30 mil

Dançar o torém, comer "grolado" de tapioca com peixe, viver da agricultura de subsistência e em contato com a natureza. Isso é ser indígena? É bem mais, é se declarar com orgulho. E muitos já perderam a vergonha de se afirmarem como tal. A boa nova de hoje, Dia do Índio, é que a população autodeclarada cresceu 6% em dez anos, conforme os dados censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2000 e 2010. É o 5º maior crescimento proporcional do País, o 2º do Nordeste.
Segundo o último censo, 817 mil pessoas se autodeclararam indígenas, o que significou um crescimento de 11,4% em uma década (84 mil), bem menos expressivo que o período entre os anos de 1991 e 2000, de aproximadamente 150% (440 mil).
O Ceará soma, segundo os dados do IBGE, 19.336 índios, em apenas dez municípios: em Fortaleza (3.071), Caucaia (2.706), em Itarema (2.258), Maracanaú (2.200), Monsenhor Tabosa (1.934), Poranga (1.173), Pacatuba (744), Crateús (613), Itapipoca (403) e Juazeiro do Norte (355). Com etnias variadas, representam apenas 0,2% da parcela populacional do Estado e 2,4% da população autodeclarada do País. O Ceará está em 15ª colocação no ranking nacional.
Segundo o Censo de 1991, em 34% dos municípios brasileiros, residia pelo menos um indígena. Já no Censo de 2000, percentual cresceu para 63% e, de acordo com o Censo 2010, chegou a 80% das cidades do País.
Entretanto, a Fundação Nacional do Índio (Funai) questiona os recentes dados do IBGE, diz que estão defasados, não representam a realidade. Para Weibe Nascimento, assistente técnico da Coordenação Regional de Fortaleza na Funai, a comunidade soma quase 30 mil integrantes, organizados em 14 povos e em cerca de 19 municípios.
"A cada dia, nossa população indígena cresce mais. As pessoas estão com menos vergonha de se afirmarem como índio, têm mais orgulho das origens, acessam mais as políticas públicas de educação e saúde. Desafios existem sim, mas temos muitos avanços, graças à organização e luta dos grupos", afirma Weibe.
De acordo com ele, o maior entrave para a conquista de direitos ainda é a regularização fundiária e a dificuldade de manutenção da terra. Segundo Weibe, apenas três terras foram homologadas no Ceará, apenas uma demarcada (Córrego de João Pereira em Itarema), duas identificadas e delimitadas e cinco em processo de identificação e delimitação. Há, segundo o assistente da Funai, demanda real para identificação e delimitação de novas 19 terras.

Identidades

A etnias mapeadas hoje pela Funai são: Tremembé (Acaraú, Itarema e Itapipoca), Anacé (Caucaia e São Gonçalo do Amarante), Tapeba (Caucaia), Pitaguary (Maracanaú e Pacatuba), Jenipapo-Kanindé (Aquiraz), Kanindé (Aratuba e Canindé), Tapuia (Monsenhor Tabosa e Tamboril), Potyguara, Tabajara, Kalabaça, Kariri e Tupinambá (Crateús), Tapuya-Kariri (São Benedito), Tabajara e Kalabaça (Poranga), Potyguara (Crateus e Novo Oriente), Tabajara (Quiterianópolis e Monsenhor Tabosa) e também os povos Kariri (Crato).
Em Fortaleza, apesar de nenhum povo estar catalogado, há presença ainda de tribos em Paupina, Messejana, segundo declarou o tapeba Nailton Ferreira. "É muito difícil manter um grupo organizado na cidade com a especulação imobiliária crescente. Nosso povo tem como marca, a resistência, a vontade de sobreviver. Isso nos motiva", conta.
Sobre a inserção na vida moderna, da grande Capital, o tapeba fala que é simples: "a gente não deixa de ser índio por estar envolvido em outra cultura. Mais se agrega conhecimento do que se afasta. Continuo dançando o meu torém enquanto vivo com o branco", diz o Nailton.

IVNA GIRÃO
REPÓRTER

OPINIÃO DO ESPECIALISTA

O momento é de retomada e de autoafirmação

Cada vez mais, o povo índio do Ceará tem orgulho de se declarar como tal. O cenário mudou muito nos últimos tempos, antes não era assim. Hoje, temos um movimento bem forte e organizado, feito dentro das comunidades e com as demandas reais. Os programas sociais de acesso à saúde e à educação, principalmente, estimularam essa afirmação. Com a organização social e a clareza das pautas, estão surgindo avanços, apesar de ainda haver muitos entraves e brigas por terras.
O problema é que muito já se perdeu de identidade. Tínhamos, nos primórdios dos tempos, uns 42 grupos. Maioria deles já se perdeu no tempo, não temos mais registros e relatos. A luta, agora, é por memória, por recuperação das origens para construção de um futuro mais sólido. Já teve um tempo que documentos, do século XIX, disseram que não havia mais índio no Ceará. Acreditam? Hoje é novo tempo, bem mais otimista.

Maria Amélia Leite
Missionária indigenista da Missão Tremembé 
 
Fonte: Diário do Nordeste. 19/04/2012

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Matéria do Café história SciELO Brasil lança portal de livros eletrônicos

SciELO Brasil lança portal de livros eletrônicos
Rede de periódicos científicos no país lança o portal "SciELO Livros", que promete democratizar o acesso a produções científicas desenvolvidas por brasileiros.



Por Elton Alisson
Agência FAPESP
Foi lançado em 30 de março, durante evento na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo, o portal SciELO Livros.
Integrante do programa Scientific Eletronic Library Online SciELO Brasil – resultado de um projeto financiado pela FAPESP em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) –, o portal visa à publicação on-line de coleções de livros de caráter científico editados, prioritariamente, por instituições acadêmicas.
A iniciativa pretende aumentar a visibilidade, o acesso, o uso e o impacto de pesquisas, ensaios e estudos realizados, principalmente, na área de humanas, cuja maior parte da produção acadêmica é publicada na forma de livros. “Uma porcentagem significativa de citações que os periódicos SciELO fazem, principalmente na área de humanas, está em livros. E como um dos objetivos da coleção SciELO é interligar as citações entre periódicos, a ideia é também fazer isso com livros”, disse Abel Packer, membro da coordenação do programa SciELO, à Agência FAPESP.
De acordo com Packer, a ideia do projeto foi sugerida em 2007 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e foi iniciado em 2009 sob a liderança e financiamento de um grupo formado pelas editoras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Fiocruz.
O desenvolvimento da plataforma metodológica e tecnológica contou com a cooperação da Bireme, e a execução do projeto teve apoio institucional e de infraestrutura da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Inicialmente, o portal reunirá cerca de 200 títulos, distribuídos mais ou menos igualmente entre as editoras das três universidades. A partir do lançamento, a expectativa é que a coleção possa contar com a adesão de outras editoras acadêmicas.
Para integrar o portal, as editoras e as obras são selecionadas de acordo com padrões de controle de qualidade aplicados por um comitê científico e os textos são formatados de acordo com padrões internacionais que permitem o controle de acesso e de citações.
A publicações poderão ser lidas por meio de plataformas de e-books, tablets, smartphones ou na tela de qualquer computador, acessadas diretamente do portal ou de buscadores na internet, como o Google, e também serão publicadas em portais internacionais.
“A ideia é contribuir para desenvolver infraestrutura e capacidade nacional na produção de livros em formato digital e on-line, seguindo sempre o estado da arte internacional”, explicou Packer.
Segundo ele, a plataforma metodológica e tecnológica desenvolvida para publicação de livros eletrônicos para a coleção da SciELO Brasil deverá ser utilizada por outros países que formam a rede SciELO para publicar suas coleções nacionais, com gestão autônoma.
Venda de livros
Além das obras com acesso aberto e gratuito, o portal SciELO Livros também possui uma área na qual será possível ao usuário comprar obras das editoras integrantes do projeto no formato e-book.
“A venda deverá ser uma das fontes de recursos financeiros previstos na operação autosustentável do portal. Isso representa uma novidade para o SciELO, que tem acesso totalmente aberto para os seus periódicos. Entretanto, o número de livros em acesso aberto deverá predominar”, disse Packer.
Segundo ele, a meta inicial é publicar entre 300 a 500 títulos por ano no portal. Entretanto, esse número de publicações dependerá da reação das editoras e do público.
“Se o projeto tiver um sucesso semelhante ao do SciELO Periódicos, o desenvolvimento do portal poderá ser mais rápido, e ele deverá contar com muito mais livros”, estimou.
Criada em 2007, o SciELO Brasil é, segundo o Ranking Web of World Repositories, conhecido como Webometrics, o líder mundial entre os maiores portais de informação científica em acesso aberto e gratuito no mundo.
Em 2011, de acordo com Packer, a coleção SciELO Brasil teve uma média diária de 1,2 milhão de downloads de artigos. Seu modelo de publicações de periódicos é adotado hoje por diversos países e forma uma rede de coleções nacionais.
Os países com coleções certificadas estendem-se pela América Latina, como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Venezuela, e Europa (Espanha e Portugal). A coleção da África do Sul está prevista para ser qualificada e certificada em 2012.
A expectativa é que esses países também venham adotar o modelo SciELO de publicação de livros em formato digital.

FONTE: SciELO Livros: http://books.scielo.org

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Já reproduzimos nesse espaço, crônicas da historiadora cearense Isabel Lustosa. Hoje fazemos isso novamente visto a importância de aprendermos um pouco mais sobre a história da educação no Brasil. O nome de hoje é Anísio Teixeira e que seu projeto e seu legado sirvam de inspiração para as auridades educacionais do país.


Isabel Lustosa

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Anísio Teixeira (centro)
Anísio Teixeira
Dia desses encontrei por acaso na internet foto de Anísio Teixeira, entre Jorge Amado e Gilberto Freyre. Os três já maduros, grisalhos, na casa dos 50 anos. Estranhei um pouco aquele Anísio pois o que conheci bem, através das tantas imagens dele constantes dos arquivos de Pedro Ernesto Batista, foi o Anísio moço. Figura franzina, metida nuns ternos grandões, com os cabelos muito lisos, fixados pela força da gomalina, o rosto magro escondido atrás dos óculos de grau. Imagem típica de intelectual latino, assim era o jovem Anísio, recém-chegado da América do Norte, cheio de ideias arrojadas sobre educação.
Aquele Anísio que encontrou na vocação radicalmente democrática do prefeito do Rio de Janeiro, Pedro Ernesto, um aliado corajoso para a implementação de seu projeto educacional. Foi com Anísio Teixeira que se difundiram as bibliotecas de bairro e que se criou a Escola-Rádio, dirigida por Roquette Pinto. Foram construídas então, no Rio de Janeiro, 28 escolas, cada uma com capacidade para mil alunos. Espalhadas por todo o município, suas localizações foram definidas após cuidadosos estudos, privilegiando as áreas mais pobres. Em 1933, a primeira escola construída numa favela foi inaugurada no Morro da Mangueira. O Instituto de Educação formou, durante aqueles quatro anos, 800 novos professores dentro do espírito da Escola Nova. A sofisticação dos cursos do Instituto era tanta que se chegava a exigir pleno conhecimento de francês e inglês dos futuros professores primários. O nível destes, com o aprimoramento dos cursos do Instituto de Educação, alcançou padrão universitário.
Este mesmo Anísio que aparece nas dezenas de fotos arquivadas no CPDOC-FGV, inaugurando escolas em Bangu, Campo Grande, Olaria, Marechal Hermes. Realizando, enfim, pela primeira vez na História do país, um projeto de efetiva democratização do ensino. Anísio não entendeu o recado violento da reação e recusou-se a implementar, por considerá-la avessa ao projeto de uma escola democrática e laica, a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas, pela qual se batiam os setores mais conservadores da Igreja Católica.
Curiosamente, o Anísio que brigava com a igreja nos anos 1930, quase se tornara seu sacerdote nos anos 1920. Clarice Nunes, em "Anísio Teixeira: a poesia da ação", revela o conflito em que se debateu a sua alma entre as atrações do mundo da política e a vida sacerdotal. Narra também o choque que foi para ele, no final da década de 1920, a descoberta da América. Choque que eliminou o sacerdócio como alternativa mas que revelou o caminho para um outro sacerdócio, a serviço da educação. Educação para a democracia.
Em Nova York, Anísio tornou-se íntimo de Monteiro Lobato - então adido comercial do Brasil nos Estados Unidos - e de sua família.. Pela correspondência que mantêm, depois do retorno de Anísio, percebe-se que ele se tornou algo assim como o darling de toda a família Lobato. Todos morem de saudade dele. Todos relembram o companheiro insubstituível, sua prosa admirável.
É assim também que dele se recordavam os filhos de Pedro Ernesto: Odilon e Iolanda Baptista. Em fotos do álbum de família aparecem o jovem e atlético Odilon ao lado do franzino Anísio. Os dois, de calção, jogam nas águas do mar do Recife uma rede que a incompetência dos pescadores teima em trazer vazia. Foi durante uma viagem, naquele fatídico ano de 35. Pedro Ernesto, então prestigiadíssimo, foi com a família e alguns secretários assistir à posse do governador de Pernambuco, Carlos de Lima Cavalcanti. A bordo, nas fotos da viagem, aparece o grupo bronzeado e alegre: Pedro Ernesto, sua mulher, d. Evangelina, Iolanda, Odilon, Anísio e Emília. São fotos de uma gente feliz. Durante a viagem, o navio foi sobrevoado pelo dirigível Hindemburgo, numa homenagem ao prefeito do Rio.
Em meados de 1935, aquele rapaz míope e franzino, marcava o seu tento mais ambicioso: coroava a sua obra inaugurando a Universidade do Distrito Federal. Uma universidade sem prédio, sem instalações adequadas e que, no entanto, tinha em seu quadro importantes professores de universidades estrangeiras, além da prata da cada: Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Heitor Villa-Lobos, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, José Maria Bello, Jorge de Lima, Álvaro Vieira Pinto, José de Castro, Afonso Arinos de Melo Franco, Arnaldo Estrela, Lúcio Costa...
A UDF tinha um currículo absolutamente inédito para os padrões da universidade brasileira: cursos de urbanismo, arquitetura paisagista, drama e cinema, arquitetura cenográfica, bailados, além de outros mais sisudos, porém igualmente inovadores como os de filosofia e história do pensamento, filologia, literatura e sua história, jornalismo e publicidade, biblioteconomia e arquivo. A contratação de professores comunistas como Hermes Lima, Castro Rabelo e Leônidas Rezende, contribuiu para reforçar a identificação de Anísio como comunista e forneceu o motivo para a perseguição que sofreria depois.
As conseqüências do desastrado levante comunista de novembro de 1935 foram trágicas para os que, naquela década, não somavam com as correntes mais conservadoras. Em 2 de dezembro, Anísio Teixeira, Afrânio Peixoto (então reitor da UDF) e boa parte de seus colaboradores, que haviam se transformado no alvo predileto dos que queriam derrubar Pedro Ernesto, apresentaram suas cartas de demissão. Alguns foram imediatamente presos. No lugar de Anísio, assumiu a Secretaria de Educação o ex-ministro Francisco Campos. Foi o fim do sonho.
Neste momento em se procura recuperar da degradação a que foram submetidos, nos últimos 40 anos o ensino público primário e secundário, estabelecendo um piso salarial decente para seus professores, vale a pena lembrar o projeto que Anísio Teixeira tentou implementar no Rio de Janeiro dos anos 1930.

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Face aos movimentos de comemoração dos 48 anos do Golpe Civil-Militar no Brasil, principalmente por miliares da reserva, setores da sociedade estão realizando diversas manifestações Brasil afora para denunciar torturadores e apoiadores da ditadura brasileira. Abaixo, trazemos o que acontecerá em São Paulo neste 1º de abril.

 
Depois de torturadores, apoiadores da ditadura são alvos de protesto em São Paulo

Depois dos assassinos e torturadores, agora é a vez dos apoiadores do golpe civil-militar de 1964 serem alvos de protestos. Passando por jornais, empresas e lugares simbólicos do apoio civil à ditadura, o Cordão da Mentira irá desfilar pelo centro da cidade de São Paulo para apontar quais foram os atores civis que se uniram aos militares durante os anos de chumbo.
Os organizadores - coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas da capital - afirmam ter escolhido o 1º de abril, Dia da Mentira e aniversário de 48 anos do golpe, para discutir a questão "de modo bem-humorado e radical". Ao longo do trajeto, os manifestantes cantarão sambas e marchinhas de autoria própria e realizarão intervenções artísticas que, segundo eles, pretendem colocar a pergunta: “Quando vai acabar a ditadura civil-militar?”.


TRAJETO (confira resumo, no fim do texto)
A concentração acontecerá às 11h30, em frente ao cemitério da Consolação. Em seguida, o cordão passará pela rua Maria Antônia, onde estudantes da Universidade Mackenzie, dentre eles integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), entraram em confronto com alunos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Um estudante secundarista morreu.


Dali, os foliões-manifestantes seguem para a sede da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), uma das organizadoras da “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”, que 13 dias antes do golpe convocava o exército para se levantar “contra a desordem, a subversão, a anarquia e o comunismo”.


Depois de passar pelo Elevado Costa e Silva - que leva o nome do presidente em cujo governo foi editado o AI-5, o mais duro dos Atos Institucionais da ditadura - o bloco seguirá pela alameda Barão de Limeira, onde está a sede do jornal Folha de S.Paulo. Segundo Beatriz Kushnir, doutora em história social pela Unicamp, a Folha ficou conhecida nos anos 70 como o jornal de “maior tiragem” do Brasil, por contar em sua redação com o maior número de “tiras”, agentes da repressão.


A ação da polícia na Cracolândia, símbolo da continuidade das políticas repressivas no período pós-ditadura, bem como o Projeto Nova Luz, realizado pela Prefeitura de São Paulo, serão alvos dos protestos durante a passagem do cordão pela rua Helvétia.


Finalmente, será na antiga sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), na rua General Osório, que o Cordão da Mentira morrerá.


CORDÃO DA MENTIRA
Quando: Domingo, 1º de abril de 2012, a partir das 11h30
Onde: concentração no Cemitério da Consolação


TRAJETO
R. Maria Antônia – Guerra da Maria Antônia
Av. Higienópolis – sede da TFP
R. Martim Francisco
R. Jaguaribe
R. Fortunato
R. Frederico Abranches
Parada no Largo da Santa Cecília
R. Ana Cintra – Elevado Costa e Silva
R. Barão de Campinas
R. Glete
R. Barão de Limeira – jornal Folha de S.Paulo
R. Duque de Caxias – Cracolândia/Projeto Nova Luz
R. Mauá
Dispersão: R. Mauá com a R. General Osório – antigo prédio do Dops
 
 
Fonte: Boletim Carta Maior. 
Foto: sismmac.org.br

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Aos 80 anos de idade, morre Chico Anysio, um dos maiores nomes do humorismo no Brasil. O eterno Professor Raimundo criou mais de duzentos personagens e vai deixar saudades

Alice Melo
23/3/2012

  • Morreu nesta sexta o humorista Chico Anysio, aos 80 anos de idade, de uma parada respiratória, no Rio de Janeiro. Anysio foi um dos maiores nomes da comédia de entretenimento no Brasil: começou no rádio ainda na década de 1950 e percorreu a segunda metade do século inovando na televisão. Serviu de inspiração para muitos humoristas e atores da atualidade.
    Em entrevista à Globonews nesta tarde, por exemplo, Renato Aragão – um dos criadores dos Trapalhões, programa que muito bebeu no modelo de humor protagonizado por Chico Anysio no rádio e na TV - fala sobre a relação dos humoristas com o grande mestre: “Ele me ajudou muito quando vim do Nordeste para cá, mas não só isso, ele era uma espécie de pai para todo o humorista da nossa geração”.
    Pai dos humoristas
    O hilário Mussum (1941-1994), que integrava o elenco dos Trapalhões, contou em uma entrevistaCasseta e Planeta Urgente!) que foi Chico Anysio o responsável por sua entrada no mundo do humor. Indicado por Grande Otelo, Mussum foi chamado para trabalhar na Escolinha do Professor Raimundo, interpretando um sujeito que ia cada dia com uma camisa de futebol diferente. Na conversa, Mussum lembra que foi o mestre quem, inclusive, inventou sua marca registrada: "tranquilis!" para o extinto jornal “Casseta Popular” (dos mesmos criadores de
    “Eu era ritmista, porque eu nunca quis me meter a ator. Na verdade, eu tinha medo disso aí”, lembra ele. “Quando fui gravar na primeira vez, um português feio disse assim: ‘Agora é a sua vez, Mussum’. Tá legal. Me preparava rezando. Aí ele batia, ‘Vai lá, negão’. Pô, acabava tudo! Dava aquela porrada e eu esquecia tudo! Olhava pro Chico e o Chico, Professor Raimundo, olhando pra mim: ‘É’. Eu digo, ‘Sim senhor’. Ele: 'Como de fatis'. Porque o Chico passou para mim – o que eu devo muito a ele – o seguinte: ‘Você com sua maneira de falar, tem três coisas que são fundamentais pra você. É como de fatis, tranquilis e não tem problemis. Isso é seu ganha pão’. Me batizei com isso. São coisas que realmente falo”.
    Mais de 200 personagens
    Chico Anysio, em seus mais de cinquenta anos de carreira, criou cerca de duzentos personagens que levavam, por diferentes motivos, o espectador às gargalhadas: as piadas, muitas vezes baseadas em bordões, demarcavam bem os tipos sociais encarnados pelo comediante diante das câmeras, do microfone ou da plateia num palco de teatro. Ficaram célebres sob sua interpretação o vampiro Valdeniro Bento Carneiro, o craque Coalhada, o ex-museólogo Popó, ou o prefeito corrupto Walfrido Canavieira. Além de engraçado, ele era bom ator. A comédia soava natural quando interpretava tanto personagens fictícios, quanto ele próprio – como viés cômico de sua vida de retirante nordestino.
    “Eu nasci lá em Maranguape e o médico sabia que aquele era o dia de meu nascimento”, contava o jovem Chico de pé, diante do público, numa premiação da Rádio Roquete Pinto, em 1969, quando recebia a homenagem de Melhor Comediante. “Sabendo disso minha mãe foi levada correndo para a maternidade e foi colocada na mesa e eu só não nasci naquela hora porque aquela não era minha mãe, era a minha tia...”. Pausa para risadas. E a história continua: “Tia que tinha sido levada por engano e por ser solteirona até naquele momento se sentiu realizada...”.
    Não havia barreiras para o humor de Chico Anysio. Criativo e engraçado, ele fazia rir em qualquer situação. Em conversa com a Revista de História, o comediante Bruno Motta lembra de um causo que o mestre contou para ele certa vez: “Estávamos conversando e ele me falou de uma história que aconteceu com o Oscar Wilde... Um dia, uma senhora perguntou ‘Sr. Wilde, escrever é difícil?’, e ele respondeu ‘Minha senhora, escrever ou é fácil ou é impossível’! Quer dizer, pra quem sabe fazer isso - escrever ou fazer comédia - não é trabalho. A gente faz o que sabe fazer”. E comédia Chico Anysio sabia fazer. Muito.
     
    Na edição de abril da RHBN, um Especial sobre humor vai discutir tanto a forma de fazer piada na história do Brasil - com entrevista de Elias Saliba - quanto o humor na TV  e no rádio. A revista chega às bancas na primeira semana de abril.

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